LEIAM MEUS LIVROS

"Crenças e Desavenças" - Editora Baraúna
"Qual será o Sabor da crônica?" - Editora Baraúna
Cada título contém 40 crônicas e pequenos contos de pura alegria com o mesmo número de receitas "que dão certo". Pedidos através:
www.editorabarauna.com.br - www.livrariacultura.com.br - jbgregor@uol.com.br

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

"QUAL SERÁ O SABOR DA CRÔNICA?" BIENAL DO LIVRO DE SÃO PAULO



Pessoal, foi um grande sucesso o lançamento de meu 2º livro "Qual Será o Sabor da Crônica?" na 21ª Bienal do Livro, em São Paulo. Tive a alegria de encontrar parentes e velhos amigos que não via há muitos anos.
|                                               Não obstante o frio cortante da noite paulistana,
O "prosecco" estava geladíssimo

Foi uma noite de festa e muita alegria.
Agradeço, de coração, aos que lá estiveram...




Caso queiram adquirir algum de meus livros, autografado e com dedicatória, basta escrever para jbgregor@uol.com.br que eu darei as coordenadas. Preço de cada título: R$30,00 (inclusas as despesas com o Correio, para qualquer lugar do País),


TÍTULOS À VENDA, TAMBÉM, NA LIVRARIA CULTURA, PAPYRUS, GRAFITTE E SITES DA ED.BARAÚNA E GATO SABIDO.
Forte abraço.
JOÃO

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A DRA. VIRGÍNIA


O grande trauma da vida de Virgínia foi o de não poder usar papel higiênico durante toda a infância. O pai achava que era supérfluo e a família toda tinha que usar papel de embrulhar pão ou jornal, os quais ficavam pendur ando em um fino arame ao lado do vaso sanitátio. Contou-me ela que saia do banheiro com a bunda manchada de tinta preta dos jornais vagabundos e como ela era bundudinha, às vezes com o decalque de manchetes inteiras dos jornais.

Cresceu, ficou moça e bonita... Passou num concurso federal e fez carreira como fiscal do governo, com ótima remuneração. Nunca se casou, aposentou-se relativamente jovem e sempre morou sozinha. Viajou e namorou muito, sabendo aproveitar os prazeres da vida. Seu apartamento era um primor em matéria de conforto e decoração e talvez, como reflexo de seu trauma de infância, comprava pacotes e mais pacotes de papel higiênico, todos coloridos e perfumados.

Se as toalhas de rosto e de banho eram azuis, o papel higiênico também era azulzinho; se salmão, o papel era cor de pêssego, ou verdinho, ou rosinha e assim por diante. Ela gostava de comer bem e frequentava todos os restaurantes da cidade variando, assim, os tipos de comidas e temperos. Ocorreu que, sem mais nem menos, ela começou a sen tir pruridos anais, ou seja, coceiras no "fiofó". Ficou exasperada, a ponto de passar a visitar todas as cozinhas dos restaurantes para especular sobre os temperos que os cozinheiros usavam, pois achava que alí estaria a origem de seus problemas. Reparou também que quando ia à Sao Paulo ou à Campinas, na casa de seus irmãos, as coceiras sumiam.

Num final de semana recebeu a visita de uma amiga e ambas foram almoçar em um restaurante de comida mineira, cuja especialidade era diferentes pratos suínos. À noite, sua amiga reclamou de coceiras no "fiofó" dela também e Virgínia deduziu: "Só pode ser a carne de porco". Noutro dia, foram jantar num restaurante macrobióticos mas, que nada! Na segunda-feira, ambas estavam esfoladas de tanto se coçarem.

Seu irm ão de São Paulo, clínico geral, receitou-lhe remédios para tudo quanto era protozoários flagelados ou "bichas" (oxiúris, Taenia, Áscaris, Giárdia,etc...) e nada! Ela chegou até a roer carvão pois um amigo, veterinário, disse-lhe que ajudava a limpar o aparelho digestivo.

Seu irmão de Aguaí, protético/dentista, tinha u ma secretária muito esperta que acabou dando o diagnóstico certo para minha amiga. Ouvindo as lamúrias de Virgínia para seu irmão, intrometeu-se na conversa e perguntou: "Dona Virgínia, de que cor é o papel higiênico que a senhora usa?" A princípio os dois ficaram admirados com a pergunta, mas Virgínia respondeu: " De todas as cores, tem verdinho, tem rosinha, tem azulzinho... todos perfumados!"

A moça foi categórica: "Tá aí a causa; a senhora é tão informada e não sabe que a ANVISA proibiu a comercialização desses papéis?! Ficou provado que provocam irritações e outros danos."

Resolvido o problema, minha amiga foi até ao supermercado, devolveu os diversos pacotes que ainda tinha e obrigou o gerente a recolher todo o estoque das prateleiras, sob pena de denúncia. Conseguiu, finalmente, deixar as unhas crescerem...

Bom, acho que vou ensinar algumas formas de se fazer rabos... de porcos! São bem mais higiênicos e saborosos do que os pastéis que vocês comem nas feiras ou os quibes das esquinas da vida.

RABO COM MANDIOCA: Cozinhe os pedaços de mandioca à parte, com água e sal, reserve. Numa travessa de vidro, tempere os rabos de porco (cortados nas juntas) com sal, limão, alhos espremido, cebola batidinha, azeite, louro e pimenta à gosto. Numa panela de pressão, frite os pedaços em azeite e vá pingando água fervente, aos poucos até ficar bem amarelinhos. Acrescente 4 tomates picadinhos, 1 colher de extrato de tomate (aquela antiga, da latinha pequena) o resto do tempero que ficou na travessa e água fervente até cobrir os pedaços. Tampe a pressão e cozinhe por uns trinta minutos. Junte as mandiocas pré cozidas (pode ser mandioquinha salsa, também), um pouco de cheiro verde 1 cebola à juliana e misture bem (tem que ter um pouco de caldo). Sirva com arroz branco e couve picadinha, cozida.

RABO AO VINAGRETE: Cozinhe, na pressão, os rabos e pés de porco (peça ao açougueiro para cortar os cascos) em água, sal e folhas de louro, até ficarem bem macios. Escorra bem e tempere com vinagrete (cebola e tomates picadinhos, salsa, azeitonas picadas, azeite de oliva, vinagre e água e sal a gosto).

RABO NO FEIJÃO: Corte os rabos pelas juntas e cozinhe-os com o feijão e 2 folhas de louro. Depois de cozido, tempere normalmente o feijão.

E CHEGA DE RABO!


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

LANÇAMENTO DO LIVRO "QUAL SERÁ O SABOR DA CRÔNICA"


Pessoal, convido-os a participarem do lançamento de meu segundo livro de contos e crônicas. O evento será realizado no próximo sábado (14/08) às 19 horas no Anhembi/SP.
Ficarei feliz em recebê-los, no "stand" da Editora Baraúna.
Abraços fraternos
João Batista Gregório

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

DOCTOR STEEVE

Há quase nove anos, Osama bin Ladem deixou o mundo embasbacado com o maior atentado terrorista da história e que resultou num saldo de 3234 mortos, mais 24 pessoas desaparecidas.

Lembro-me de nosso desespero, até conseguirmos contato com nossa filha, genro e neta que moram em mamaroneck/NY, a uma hora de Manhattan.

Depois do incidente, estive por lá, ainda, umas quatro vezes e ouvi muitos casos tristes, referentes a pessoas que foram protagonistas da tragédia, como vítimas ou como sobreviventes.
Dentre os "causos" de sobreviventes, escutei uma estória que se não verdadeira, é bem provável: Trata-se do primeiro divórcio de um casal americano, no pós-atentado, por culpa de Bin Laden e prestem atenção:

Naquela manhã, o Doctor Steeve Mansfield, eminente advogado de uma financeira, com escritório instalado num dos mais altos andares da "North Tower", estava em Newark/NJ, bem próximo dali, no apartamento de sua secretária, Pamela (Pam, para os íntimos), com quem mantinha um relacionamento extraconjugal.

Sua esposa, Olivia, e os filhos, Steeve Jr. e Peter, encontravam-se na residência do casal, em Greenwich/CT, quando ouviram as primeiras manchetes e notícias sobre a tragédia. Desesperada, a mulher ligou para o celular do marido, mesmo sabendo que as chances dele atender eram mínimas, a julgar pela dimensão dos estragos.
Quando Steeve atendeu, ela deu um grito de alívio e alegria: "Obridada, meu Deus!... Steeve, onde você está, amor ?!"

Do outro lado, receoso, o marido respondeu: "Como, onde estou! Estou no escritório, preparando material para uma áudio conferência que faremos logo mais." A mulher ficou muda por alguns instantes, desorientada: "...Steeeeve, você está mentindo!"

"Como mentindo... estou no escritório sim, inclusive a Pam está a meu lado, fale com ela!" A secretária-amante tomou do aparelho e disse, profissionalmente: "Hello, Miss Manfield! Linda manhã, não?"

A mulher desatou a gritar, histérica: "Sua vagabunda! Se tiver algum aparelho nessa espelunca, onde vocês estão trepando, ligue nos noticiários, agoooraaaaa!"

A moça passou o telefone para o Doutor Steeve e, meio zonza, correu ligar a TV. O marido, sem entender a extensão da tragédia, gaguejava: "Meu amor, não estou compreendendo; há algo que eu deva explicar?!" A mulher rebateu: "Vá explicar para meu advogado seu filho da p..., suma de nossa vida, finja-se de morto, enfie-se nos escombros, etc...etc...”

Levantando os olhos para a TV, Doctor Steeve compreendeu...

Hoje vou ensinar-lhes a fazer Tomates Verdes Frios("Fried Green Tomatoes"), prato tipico do Alabama que ficou eternizado com o filme de mesmo nome, protagonizado pela saudosa atriz Jessica Tandy:

TOMATES VERDES FRITOS: 4 tomates verdes cortados em rodelas de 1 cm; sal e pimenta a gosto; 1 colher (de cha) de oregano; 1 xicara (cha) de farinha de trigo; 1 ovo ligeiramente batido; 1 xicara (cha) de farinha de rosca e 2 xicaras (cha) de oleo de soja ou de milho (para fritar) Tempere as rodelas de tomates com sal, pimenta e oregano. Em seguida, passe-as na farinha de trigo, no ovo e depois na farinha de rosca.

Despeje o oleo em uma panela pequena e aqueca em fogo medio por cerca de 4 minutos. Coloque 3 fatias de tomates por vez e frite por 3 a 4 minutos ou ate que atinja uma cor ligeiramente dourada. Escorra em toalha de papel e sirva como entrada, acompanhada de salada verde temperada com vinagrete de mostarda.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

TRÊS MULHERES DE MINHA INFÂNCIA

Naquele tempo, as crianças entravam para a escola somente após completarem 7 anos. Não existia maternal, prezinho e nem jardim da infância. Era direto para a primeira série e para a Cartilha Sodré, livro de alfabetização muito famoso, à época.

A pata nada, pa-ta-pá, na-da, ná; O dado é da Dadá, da-do, dá; A macaca é má, ma-ca-ca, cá...

A autora dessa obra chamava-se Benedicta Stahl Sodré mas eu sempre pensei que fosse o Abreu Sodré, famoso deputado e governador de São Paulo, da antiga UDN/ARENA...

Dona Elza Zogbi foi minha primeira professorinha, doce de criatura! Ela morava no centro da cidade, numa residência estilo mourisco que hoje percebo, não era tão grande assim. Mas para o menino da época, era um palacete. Pelo meu bom comportamento fui convidado para conhecer sua casa e compartilhar de seu chá da tarde. Mamãe vestiu-me com o terninho branco de linho da primeira comunhão, gravatinha borboleta e "brilhantina glostora" no cabelo (Meu Deus!).

Lá pelas 5 horas da tarde descia eu, sozinho, a rua "do feijão queimado" (por ali passavam todos os enterros e as donas de casa, a pretexto de assistirem à passagem fúnebre, deixavam queimar as panelas).

Havia chovido e pouco antes de chegar à Avenida, escorreguei na calçada de terra e cai sentado numa poça d`água. Fiquei com as mãos enlameadas e a bunda suja de barro. Sem saber o que fazer, começei a chorar (como era fácil chorar!). Não poderia me apresentar assim no chá de D. Elza e se voltasse pra casa, meus amigos que certamente estariam todos na rua àquela hora, iriam gozar de mim, vestido de anjo, sujo e chorando. Desci a Rua Olaia e fui direto para a casa de minha avó Vitta, nos consfins da Rua Riachuelo e quando lá cheguei, a chuva começou novamente.

Menti para minha avó que minha mãe sabia que eu estava na casa dela e à noite viriam buscar-me. A velhinha acreditou e fez para mim chá de erva cidreira com limão e fritou seus deliciosos "bolinhos de chuva com bananas" A chuva apertou e tranformou-se em "toró" com o cair da noite. Fiquei com medo, pois a casa de meus avós era encostada a um córrego e quando dava enchente, a casa ficava inundada. Desandei a chorar, apavorado pela chuva e também pela mentira. Tanto que acabei por adormecer.

Minha "nonna" ajeitou-me no velho bercinho que serviu a todos os seus 11 filhos (inclusive a meu pai) e ficou aguardado meus pais chegarem. E eles chegaram... Furiosos quando me viram, pois já haviam rodado as casas de todos os parentes, inclusive da professorinha, à minha procura. Meu pai Paschoal arrancou-me do berço e quis bater em mim, alí mesmo, mas o "nonno Beponne" não deixou: "Lascia il bambino, Pascuale! Poverino, stà a dormire!"

Mas que nada, levou-me debaixo de chuva mesmo e enfiou-me na Chevrolet 54, ruminando "juras de vingança". Chegando em casa, enquanto meu pai guardava o veículo e fechava o portão, mamãe, apavorada, enfiou-me na cama, cobriu-me com vários travesseiros e jogou por cima um cobertor bem grosso (ainda bem que estava muito frio naquela noite), recomendando: "Cubra a cabeça e grita feito um cabrito toda vez que ele der as pancadas".

O velho entrou espumando, com o relho de "rabo-de-tatu" na mão (era uma espécie de chicote de bater em animais) e iniciou a pancadaria. A raiva era tanta que nem percebeu o subterfúgio armado pela extremosa mãezinha. Salvo uma ou outra fisgada nas orelhas, saí-me ileso mas o susto foi tão grande que acordei de manhã com febre de 40º e como "prêmio", não pude ir à escola por uns três dias.

Nunca mais vesti o maldito terninho de linho mas os bolinhos de chuva de minha avó, eu faço até hoje e copiem aí pois é muito fácil a receita:

BOLINHOS DE CHUVA COM BANANAS: 3 ovos inteiros; 3 colheres (sopa) de açúcar; 1 pitada de sal (1/2 colherinha de café); 1 copo de leite (mais ou menos); 1 colher (chá) de pó royal); 3 bananas bem maduras em rodelas e farinha de trigo até o ponto de pegar com a colher e pingar na gordura quente (ajudando a empurrar com os dedos). Fritar e escorrer. Se preferir, troque as bananas por pedacinhos finos de goiabada.

Salpicar bastante açúcar e canela. Espere chover e sirva com chá ou café

sexta-feira, 16 de julho de 2010

AS COMADRES

As comadres Gilda e Laura (minha tia) eram íntimas amigas e vizinhas de muitos anos. Eram tão amigas que quando foi inaugurada a segunda etapa do cemitério local, resolveram comprar túmulos vizinhos. Três: um para a Gilda, outro para a Tia Laura e o terceiro para o Tio Joaquim. Mandaram construir uma espécie de altarzinho (com local para fotografias) nas cabeceiras dos túmulos, encimados por um cruz.

Mas, como não há mal que sempre dure e nem bem que não se acabe", certo dia essa forte amizade acabou-se e de forma trágica. Surgiu, não me lembro como, na casa de meus tios, um novo morador chamado de Toniquinho. Parece-me que era um conhecido antigo que ficou sozinho na vida e sem ter onde morar, foi acolhido pelo meu tio e adotado pela família. Era muito educado, fino mesmo e nem tão velho assim...

Para compensar a boa acolhida, ele fazia de tudo na casa, inclusive ajudava minha tia a arrematar as roupas; cerzia os bolsos nas camisas, pregava os botões e caseava (fazia aqueles buracos de enfiar os botões). Tanta eficiência acabou por despertar ciúmes na comadre Gilda que começou, maldosamente a espalhar no bairro que sua comadre e Toniquinho eram amantes...

Tamanha "fofoca" girou rápido e logo chegou aos ouvidos de minha tia. Prá quê!! De repente, aquela santa mulher virou uma "serial Killer" e armada de uma enorme foice foi tirar satisfações com a vizinha. Gilda estava na janela, aliás, parecia-me que ela nunca tinha nada para fazer pois, se não estava na casa dos outros, ficava de braços cruzados na janela.

Minha tia, da calçada, riscava o corte da foice no cimento até soltar faíscas e chamava a outra para fora: "Vem cá, sua vaca, eu vou cortar tua língua! Saia aqui fora se for mulher." A Gilda de lá respondia: "Vaca és tu... Vaca de dois touros! Tia Laura azulou, pulou o muro disposta à carnificina. A mulher fechou a janela apressadamente mas minha tia estraçalhou a madeira com a foice.

Enquanto tentava pular a janela, meu tio e mais alguns vizinhos tentaram segurá-la mas ficaram com as saias nas mãos. Tia Laura entrou e lá de dentro só se ouviam gritos desesperados. Quando conseguiram conter minha tia, encontraram a Gilda esparramada no chão, deitando sangue pela rosto. Fora atingida com o cabo da foice, num golpe tão forte que abriu-lhe um "rombo" na testa.

Chamaram a perua do SAMDU (ambulância da época) e levaram a Gilda que voltou mais tarde com um vários pontos e um curativo enorme na testa. As duas nunca mais se falaram.

Morreu minha tia, morreu o Toniquinho e alguns anos mais tarde, foi-se também o meu tio Joaquim. A Gilda sobreviveu, ainda, por mais de trinta anos e morreu daquela maneira que eu relatei na crônica abaixo. Fui ao seu enterro e o que me chamou a atenção, além do episódio do velório, foi o fato de que seu túmulo fora transformado: O altarzinho saiu da cabeceira do túmulo e foi reconstruído nos pés, de costas para as fotos de seus antigos desafetos.

Como receita de hoje, em homenagem às sopas que minha tia fazia para "seus velhos" vou passar a:

SOPA DOURADA (DE ABÓBORA) : 2 kg de abóbora madura e picadas; 2 cubos de caldo de galinha; 1 peito de frango; 2 colheres (sopa) de margarina; 1 cebola picada; 1 lata de creme de leite (sem o soro); folhas de couve rasgadas. Cozinhe o peito de frango em 1 litro de água e 2 tabletes de caldo de galinha. Desfie, grosseiramente, o peito e reserve. Na água do caldo, cozinhe os pedaços de abóbora (10 minutos na panela de pressão). Bata a abóbora no liquidificador com um pouco do caldo e volte ao fogo. À parte, refogue o frango desfiado com 2 colheres (sopa) de margarina e a cebola batidinha. Junte o refogado de frango ao caldo de abóbora. Rasgue algumas folhas de couve e misture na sopa. Acrescente mais sal, se necessário e quando a couve estiver cozida, acrescente o creme de leite. Misture levemente e sirva com torradas ou queijo ralado. É divina!!!


domingo, 11 de julho de 2010

A MORTE DE GILDA

A Gilda morreu por volta das 3 horas da manhã de um domingo. Havia dançado a noite inteira no forró da velha guarda e, à pé, subiu o morro do São Lázaro até chegar a sua casa. Não teve tempo nem de remover a pesada maquilagem ou de tirar o vestido de soirée.

A Zilda, por sua vez, morreu por volta das 7:30 da manhã daquele mesmo domingo. Havia rezado bastante na missa das seis e, à pé, subiu o morro do Perpétuo Socorro até chegar a sua casa. Não teve tempo nem de lavar a louça do café ou de tirar o discreto vestido de "ver Deus".


Gilda casou-se muito jovem, levada pelo "furor uterino" que sempre a acompanhou, desde a menarca (lembram-se dessa palavra?). Após o nascimento de seu quarto filho, o marido faleceu, eletrocutado em cima de um poste, pois que trabalhava na "Cia. de Força e Luz". Nunca mais arrumou outro marido mas teve vários amantes até a sua morte, aos 82 anos.

O último deles,o Dodô Goiaba (vendia goibas na rua, com um carrinho de pedreiro) era um pouco mais novo e alcoólatra, batia nela e ainda torrava toda a pensão que a mulher recebia do finado marido. Os filhos viviam brigando com a mãe e enxotavam o velho safado da casa deles. Tanto fizeram que Gilda largou tudo e foi morar com o amante numa casinha de dois cômodos.

"Faço de tudo mas não vivo sem homem" dizia ela.

A Zilda, por sua vez, demorou muito para se casar; seu desejo era ser freira, porém, lá pelos 25, cedeu à insistência de seu Jacinto, viúvo com três filhas e dono de um pequeno açougue. Tiveram mais quatro filhas e ela deu um duro danado na vida para criar as 7 meninas, cuidar da casa e ainda ajudar o marido no açougue.

Pior ficou quando "seu" Jacinto morreu com uma chifrada de boi que lhe furou o pâncreas.
Ela resolveu tocar o açougue sozinha e assim, levantando todo dia às três da matina, destrinchando bois, enchendo linguiças e fazendo torresmos ela conseguiu criar as filhas até o ponto em que elas conseguiram ajudá-la também.

Bom, mas as duas senhoras morreram no mesmo dia e foram vizinhas de velório.

Na sala onde estava o esquife de Gilda, tudo era gritaria e choro exagerado. Só se ouvia imprecações contra Deus e discussões entre os 4 filhos e netos, os quais quase derrubaram o caixão em demonstrações exageradas de desespero.

Na sala onde estava o esquife de Zilda, tudo era silêncio e respeito. Apenas se ouvia de vez em quanfo um murmurejar de orações, um suspiro ou choro calmo de alguma das 7 filhas e netos, os quais não desgrudaram do caixão.

De repente, irrompe na sala de Zilda o velho Dodô Goiaba, tão bêbado que nem percebeu que entrara no velório errado. Abraçou o caixão de Zilda desandou a gritar: "Gilda, meu amor! O quê aconteceu com você, minha velha?! Ainda ontem nós dançamos prá burro e agora tá aí, branca como um bicho de pau-podre!" As filhas da santa defunta ficaram pasmas, quase que sem ação. A mais velha recuperou-se mais rapidamente e disse, de uma forma educada, ao bebum: "Meu senhor, essa defunta é a Zilda,minha mãe, o velório da Dona Gilda é na sala ao lado."

O Dodô, num olhar estrábico-etílico contestou, babando: "Como não é a Gilda? Se fui amigado dela por cinco anos não vou reconhecer?! É ela sim; só falta o batom de puta. Passa batom nela prá ver se melhora essa cara de coruja." A platéia ficou silente (gosto desta palavra) até que um dos parentes conseguiu colocar o Dodô prá fora.

Entrou na outra sala e recomeçou: "Ahá, te achei, sem vergonha! Queria ser enterrada sem me ver, né?" E deu corda à falsa cantilena de desespero até que um dos filhos da Gilda deu um sopapo no homem, vociferando: " Que você veio fazer aqui, seu safado? Já não chega o tanto que explorou minha mãe?!"

O velho pensou um pouco e arrematou: "Olha aqui... eu não gostava dela mesmo e vocês vão todos tomar no c. E... ó, vejam se enterram logo essa velha nojenta que ela morreu sem tomar banho!." Deu as costas e saiu cambetiando, não sem antes levar um pontapé na bunda.

Essa eu assistí e posso confirmar! E a receita de hoje, foi-me dada pela Gilda, num churrasco que fizemos em Passos/MG. É uma farofa super prática e saborosa:

FAROFA FRIA DA GILDA: Misture 2 copos de farinha de mandioca crua; 2 copos de farinha de milho; 1/2 copo de óleo ou azeite; 1/2 copo de limão tahiti; sal e pimenta do reino a gosto. Esfregue com as mãos, até as farinhas ficarem uniformemente misturadas e acrescente: 2 dentes de alho amassados e picados; 1 cebola bem picadinha; azeitonas, tomates e ovos cozidos picados; cheiro verde picado. Não mexer muito.