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terça-feira, 5 de abril de 2011

A VIRGÍNIA

 O grande trauma da vida de Virgínia foi o de não poder usar papel higiênico durante toda a infância. O pai achava que era supérfluo e a família toda tinha que usar papel de embrulhar pão ou jornal, os quais ficavam pendurando em um fino arame ao lado do vaso sanitátio. Contou-me ela que saia do banheiro com a bunda manchada de tinta preta dos jornais vagabundos e como ela era bundudinha, às vezes com o decalque de manchetes inteiras dos jornais.


Cresceu, ficou moça e bonita... Passou num concurso federal e fez carreira como fiscal do governo, com ótima remuneração. Nunca se casou, aposentou-se relativamente jovem e sempre morou sozinha. Viajou e namorou muito, sabendo aproveitar os prazeres da vida. Seu apartamento era um primor em matéria de conforto e decoração e talvez, como reflexo de seu trauma de infância, comprava pacotes e mais pacotes de papel higiênico, todos coloridos e perfumados. 
  Se as toalhas de rosto e de banho eram azuis, o papel higiênico também era azulzinho; se salmão, o papel era cor de pêssego, ou verdinho, ou rosinha e assim por diante. Ela gostava de comer bem e frequentava todos os restaurantes da cidade variando, assim, os tipos de comidas e temperos. Ocorreu que, sem mais nem menos, ela começou a sentir pruridos anais, ou seja, coceiras no "fiofó". 
Ficou exasperada, a ponto de passar a visitar todas as cozinhas dos restaurantes para especular sobre os temperos que os cozinheiros usavam, pois achava que alí estaria a origem de seus problemas. Reparou também que quando ia à Sao Paulo ou à Campinas, na casa de seus irmãos, as coceiras sumiam.


 Num final de semana recebeu a visita de uma amiga e ambas foram almoçar em um restaurante de comida mineira, cuja especialidade era diferentes pratos suínos. À noite, sua amiga reclamou de coceiras no "fiofó" dela também e Virgínia deduziu: "Só pode ser a carne de porco". Noutro dia, foram jantar num restaurante macrobióticos mas, que nada! Na segunda-feira, ambas estavam esfoladas de tanto se coçarem.


  Seu irmão de São Paulo, clínico geral, receitou-lhe remédios para tudo quanto era protozoários flagelados ou "bichas" (oxiúris, Taenia, Áscaris, Giárdia,etc...) e nada! Ela chegou até a roer carvão pois um amigo, veterinário, disse-lhe que ajudava a limpar o aparelho digestivo.


  Seu irmão de Aguaí, protético/dentista, tinha uma secretária muito esperta que acabou dando o diagnóstico certo para minha amiga. Ouvindo as lamúrias de Virgínia para seu irmão, intrometeu-se na conversa e perguntou: "Dona Virgínia, de que cor é o papel higiênico que a senhora usa?" 


A princípio os dois ficaram admirados com a pergunta, mas Virgínia respondeu: " De todas as cores, tem verdinho, tem rosinha, tem azulzinho... todos perfumados!"
A moça foi categórica: "Tá aí a causa; a senhora é tão informada e não sabe que a ANVISA proibiu a comercialização desses papéis?! Ficou provado que provocam irritações e outros danos."


Resolvido o problema, minha amiga foi até ao supermercado, devolveu os diversos pacotes que ainda tinha e obrigou o gerente a recolher todo o estoque das prateleiras, sob pena de denúncia. Conseguiu, finalmente, deixar as unhas crescerem...


Bom, acho que vou ensinar algumas formas de se fazer rabos... de porcos! São bem mais higiênicos e saborosos do que os pastéis que vocês comem nas feiras ou os quibes das esquinas da vida.


RABO COM MANDIOCA: Cozinhe os pedaços de mandioca à parte, com água e sal, reserve. Numa travessa de vidro, tempere os rabos de porco (cortados nas juntas) com sal, limão, alhos espremido, cebola batidinha, azeite,  louro e pimenta à gosto. Numa panela de pressão, frite os pedaços em azeite e vá pingando água fervente, aos poucos até ficar bem amarelinhos. Acrescente 4 tomates picadinhos, 1 colher de extrato de tomate (aquela antiga, da latinha pequena) o resto do tempero que ficou na travessa e água fervente até cobrir os pedaços. Tampe a pressão e cozinhe por uns trinta minutos. Junte as mandiocas pré cozidas (pode ser mandioquinha salsa, também), um pouco de cheiro verde 1 cebola à juliana  e misture bem (tem que ter um pouco de caldo).  Sirva com arroz branco e couve picadinha, cozida.


RABO AO VINAGRETE: Cozinhe, na pressão, os rabos e pés de porco (peça ao açougueiro para cortar os cascos) em água, sal e folhas de louro, até ficarem bem macios. Escorra bem e tempere com vinagrete (cebola e tomates picadinhos, salsa, azeitonas picadas, azeite de oliva, vinagre e água e sal a gosto).


RABO NO FEIJÃO:  Corte os rabos pelas juntas e cozinhe-os com o feijão e 2 folhas de louro. Depois de cozido, tempere normalmente o feijão.
E CHEGA DE RABO!

5 comentários:

  1. Hahaha adorei o causo.
    Abraços

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  2. eta rabo baum ein jão!
    passa la e deixa uma frase boa sobre colinaria, o premio é um caderno de receitas personalizado, vc é bão de frase,
    abraços

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  3. Olá João!
    Já estamos te seguindo também!
    adoramos seu perfil! Deu para ver que além de cozinhar bem você escreve muito bem!
    Comer um peixinho pescado na hora... não tem coisa melhor! Deves ter uma horta gigante não?... estou com ela na minha cabeça!
    Adoro horta, mas infelizmente sou uma negação na hora de cuida-la... gostaria de aprender até!
    Espero que faça essa receitinha com a codorna, ficou delicioso!
    Agradecemos sua visita em nosso blog!
    Um grande abraço da equipe Sabores e Sons!

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  4. Grande João, beleza?

    Eita receita cheia de rabo essa hein!!! kkkkk

    Adoro rabo de porco no feijão.. que maravilha!!

    Abs
    Daniel Rodrigues

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  5. É rabo prá todos os gostos!! rsrs
    Agradeço a visita de todos vocês.
    Forte abraço
    João

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