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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A TIA - 2ª PARTE


  Descobri o nome das três morenas da paineira:  Alzira, Elmira e Elvira. A do meio é a Tia.
No último aniversário do Ciro Ney, nós fizemos Tia Elmira tomar quase uma garrafa inteira de cachaça. Até colamos, no rótulo da bebida, um papel escrito: "da Tia". E ela bebeu... a noite toda! 
Disse-nos que estava chateada pois seu dia havia sido muito complicado, por força das limitações que a idade lhe impunha e pela  incompreensão das pessoas.


Após meia garrafa de cachaça, ela contou-nos a razão de suas mágoas: Naquela manhã ela acordara bem contente, pois iria almoçar na casa do Landão, um antigo amigo. Estranhou o fato de estar sem a dentadura de cima e não se lembrava de tê-la tirado para dormir. 


 Procurou na gaveta do criado mudo, na penteadeira, na pia do banheiro e nada!! Desesperada, ligou para o amigo, mentiu que estava com uma forte enxaqueca e cancelou o almoço: Jamais sairia sem dentadura...
Mais tarde, quando foi arrumar e alisar as cobertas da cama, sentiu algo saliente. 


Era a dentadura que escapara de sua boca, enfiando-se num buraco do velho edredom. Retornou  para o Landão, confirmando sua presença, "já que a enxaqueca havia passado."


 O amigo serviu feijoada e tomaram várias caipirinhas. A sobremesa foi uma espécie de torta de chocolate, chamada Tiramissú, deliciosa mas que, definitivamente, não combina com feijoada e cachaça!
De repente, a dor de barriga apertou... 


Percebendo que a "explosão" seria terrível, não quis usar o banheiro de Landão e foi despedindo-se às pressas. Morava no final da avenida mas, já no começo, sabia que não daria tempo de chegar.
 Pelo meio do caminho, entrou numa loja das Casas Pernambucanas, mas a balconista ruiva, "com unhas de puta", foi categórica:
 _ O toilette é só para funcionários!


Percebendo que não adiantava insistir, branca como os lençóis que a balconista dobrava, Tia Elmira saiu da loja, cambaleante:  _ Meu Deus, não vou aguentar!


  Um pouco mais adiante, ela topou com uma jovem, com roupas de enfermeira que saía de sua casa, com as chaves na mão. Enquanto a moça encostava o portãozinho do corredor, a Tia agarrou seus braços, desesperada: _ Filha, pelo amor de Deus! Deixe-me usar teu banheiro?


_ Ah, larga do meu braço sua velha doida! Eu já estou atrasada e não vou abrir a casa para ninguém... 


A Tia, com as pernas cruzadas e as mãos na barriga, ainda insistiu: _ Por favor, estou quaze fazendo nas calças! A enfermeira respondeu-lhe com a bunda e assim que dobrou a esquina, Tia Elmira empurrou o portãozinho e correu para uma pequena varanda, no fundo do quintal.


Agachou-se e foi aquela pororóca! Sentiu até os pelos dos braços arrepiarem-se de tanto alívio. Como não achou papel, limpou-se com um lençol branco que encontrara no varal. Saindo dalí, retornou à Loja da Pernambucanas e procurou a mesma balconista ruiva que lhe recusara o toillete. 


Pegue para mim dois lençóis brancos, dos mais caros que tiver na loja.


Após a venda, a moça perguntou-lhe: _ A senhora vai usar o crediário?
A Tia, com ar de desdém, respondeu-lhe: _ Não, filha... eu compro com cartões de crédito. Quem usa crediário são as balconistas ou enfermeiras!


Pediu papel e caneta emprestados, escreveu um bilhete e voltou à casa da enfermeira. Olhou para a varanda e riu-se do estrago que aprontara. 
 Estendeu os dois lençóis novos no varal e deixou, preso ao arame, o seguinte recado: 
_ Sou velha, mas honesta!!


Tudo bem, não deveria mas...vou deixar a receita da sobremesa italiana:


  TIRAMISSU: 4 ovos; 4 colheres de açúcar; 300 gramas de requeijão firme (mascarpone); 1 lata de creme de leite (sem soro); 1 pacote de biscoito champagne; 1 colher (de chá) de baunilha; 1 colher (sopa) de licor de cacau ou brandy; 1 xícara grande de café e 100 gramas de chocolate meio amargo raspado ou chocolate em pó.
Bater as gemas com o açúcar, adicionar o requeijão, o creme de leite e bater mais. Misturar com as claras em neve, até ficar um creme uniforme. Juntar o licor (ou brandy) ao café, molhando os biscoitos nessa mistura. Forrar uma travessa com os biscoitos molhados e espalhar metade do creme por cima. Dispor outra camada de biscoitos e o resto do creme. Alisar bem e espalhar o chocolate (raspado ou em pó). Levar à geladeira.

10 comentários:

  1. João, mas a tia é honestíssima mesmo, porque meu amigo depois de ser chamada de velha doida,um presentinho mais do que merecido para a enfermeira era um lençol sujo de cocô.rsrsrrsrsr
    Mas é como minha mãe diz: bofetada com luva de pelica.

    Abraçoooo

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  2. ah ,um dia faço tiramissú, já anotei a receita, mas nunca com feijoaadaaaa.kkkkkk

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  3. Caro amigo João!
    Ché, será que a tia Elmira é parente da minha amiga, a Dona Miquelina!
    Caloroso abraço! Saudações aliviadas!
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira
    Diadema-SP

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  4. Oi Rose!
    Sabe que eu não gosto de tiramissú!!!
    Abração

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  5. Teacher!
    Essa Tia vc já conhecia, né?
    Abs
    JB

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  6. Hahaha... adoro suas histórias e receitas!!!


    Beijos =)

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  7. Olá, Thaís! Como vai a vida?
    Abraços, minha amiga!

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  8. Oi, Nadine!
    Agradeço, de coração!
    forte abraço

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